Os quatro sentados sobre o musgo no majestoso salão esculpido em tons de verde. Diante da cachoeira. Bem ali onde o riacho Pai Ricardo ganha corpo e desprende som de trovoada.

Começamos imediatamente a dobrar tulipas de papel.

Pálidas, suaves como borboletinhas adormecidas, as tulipinhas surgiam rápido de nossas mãos. Cada um dava seus palpites, contava suas histórias, costurava silêncios, e as flores vinham impregnadas de tudo isso. E também de cheiro de pão, de grito de sapo, de pólen, de promessa de chuva.

Já na hora de ir embora, tivemos a idéia de enfeitar com as flores um filhote de árvore à beira do Pai Ricardo.

Uma árvore frágil, uma jovem árvore com raízes que deslizam sob pedras de rio.

Olhamos com carinho a pequena árvore, muitas tulipas coloridas em suas forquilhas e em seus galhos mais baixos.

E partimos pela trilha.

Algumas horas depois veio uma tempestade e as cores das nossa tulipas dissolveram-se para sempre nas águas do Pai Ricardo.

Nenhum comentário: