Essas praias maravilhosas onde a gente vai no verão, sabe, onde tem esses restaurantinhos coloridos, vistas panorâmicas que nos fazem sonhar com um mundo sem tensões, um mundo bronzeado e prazeroso; engraçado, hoje esses lugares não me enganam mais. Sempre tem gente vivendo no esgoto, muito perto, pertinho, quase ao lado de cada linda praia dessas onde a gente se banha e nada e brinca com criança ou como criança. Desperdício, sujeira disfarçada e luxo de mentirinha têm sido parte da nossa forma de viver neste mundo há muito tempo. Penso em maneiras de superar esta forma de engano. Penso em que estranha espécie de delírio é essa em que uma indústria de turismo vende a imagem de umas areias pálidas e barquinhos ensolarados, mas não se ouve dizer, pensar ou questionar o fato de que a gente daquele lugar perdeu a roça de bananeiras, inhames e o espaço para criar e plantar: onde havia roça e horta agora há suítes para temporada. Perdeu-se a casa-de-farinha que transformava a mandioca em uma série de subprodutos interessantes; perdeu-se a auto-suficiência em alimentos e aos poucos perde-se a fartura de peixes, cada vez mais escassos. Bem, aos que não gostam de ignorar as sombras tenho a dizer que essas fotos surgiram de uma mesma viagem a um desses paraísos tropicais, o que não quer dizer que eu vá parar de ir lá. Vou, sim, quero ver; quero fuçar e entender como isso tudo aconteceu e o que pode ser feito para evitar que aconteça de novo.
Flores no lixo, lixo nas flores
Essas praias maravilhosas onde a gente vai no verão, sabe, onde tem esses restaurantinhos coloridos, vistas panorâmicas que nos fazem sonhar com um mundo sem tensões, um mundo bronzeado e prazeroso; engraçado, hoje esses lugares não me enganam mais. Sempre tem gente vivendo no esgoto, muito perto, pertinho, quase ao lado de cada linda praia dessas onde a gente se banha e nada e brinca com criança ou como criança. Desperdício, sujeira disfarçada e luxo de mentirinha têm sido parte da nossa forma de viver neste mundo há muito tempo. Penso em maneiras de superar esta forma de engano. Penso em que estranha espécie de delírio é essa em que uma indústria de turismo vende a imagem de umas areias pálidas e barquinhos ensolarados, mas não se ouve dizer, pensar ou questionar o fato de que a gente daquele lugar perdeu a roça de bananeiras, inhames e o espaço para criar e plantar: onde havia roça e horta agora há suítes para temporada. Perdeu-se a casa-de-farinha que transformava a mandioca em uma série de subprodutos interessantes; perdeu-se a auto-suficiência em alimentos e aos poucos perde-se a fartura de peixes, cada vez mais escassos. Bem, aos que não gostam de ignorar as sombras tenho a dizer que essas fotos surgiram de uma mesma viagem a um desses paraísos tropicais, o que não quer dizer que eu vá parar de ir lá. Vou, sim, quero ver; quero fuçar e entender como isso tudo aconteceu e o que pode ser feito para evitar que aconteça de novo.
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