Rio de Janeiro - dia de ter algumas angústias e milhões de idéias, quase todas mais ou menos descabidas, e no fim dormir exausta

E-mail da Martha com uma novidade espantosa.
Carmen María nasceu no ano 2000, é filha única; mora, brinca e freqüenta a escola em Esquipulas, um bairro meio rural a 13 quilômetros de Manágua.
Os pais são médicos; desdobram-se em plantões que interrompem os fins de semana e feriados da família. A vida é dura; os muitos empregos garantem uma vida de classe média sem muitos luxos, e só.
Quem quebra o galho nas ausências dos pais é a avó, dona de uma oficina de reparos em estofados (tapicería). Aliás, a oficina foi fundada e administrada durante mais de duas décadas pelo simpático don Ronaldo, o tapicero mais famoso do país. Opinião parcial minha, porque ouvi falarem isso e porque sempre o considerei um cara maneiro. Faleceu em 2005.


Faladeira, brincalhona, sempre envolvida em mil questionamentos sobre como funciona o mundo adulto (no infantil ela não tem dúvidas, apenas brilha), Carmen María adora música. De uns tempos pra cá ela descobriu um novo ídolo, remexendo nos CD´s dos pais. Gosta tanto que pede para a mãe tocar de novo e canta alto os poucos versos que aprendeu, numa língua que, afinal de contas, não é a sua.
Esse ídolo é o Caetano Veloso.


Primeiro despacho do ano com meu chefe.
CHEFE - Essa secretária aí, puta que o pariu. Ela é lerda, é roda presa. Ela não tem um dos dentes da frente. Desdentada, onde já se viu?
EU - Por isso não que o Ancelmo Góis também é desdentado e a gente gosta dele assim mesmo.
CHEFE - Ah, mas... mas o Ancelmo perdeu os dentes depois que já era famoso!


Eu não tenho certeza se o futuro vai ser melhor. Mas a Cora Coralina disse que sim e eu confio nela.

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