Comida Sem Marketing Parte 2

Em prosseguimento ao trabalho de prospecção de locais intocados pelo marketing da gastronomia, lugares onde se saboreia comida honesta sem ter que ficar olhando para fotos emolduradas de Paris sobre paredes de chapisco pintadas de verde limão, nem ter que conviver com gente artificialmente polida que te chama de "senhor" e "senhora" e te atende com mesuras, enfim, lugares baratos e onde vez por outra se presencia alguma baixaria risível, exatamente como na nossa casa.

Pois descobri um lugar desses com vista pro mar!

Segue minha descrição fiel do estabelecimento em questão.

Pontos fortes:

1) TENSÃO SOCIAL - No balcão tinha um velho bebum q berrava o tempo todo e em certo momento ele botou a mão no ombro de outro cara q bebia ao lado dele e gritou: "O SANTANA É O MAIOR PEGADOR DAQUI DO BAIRRO. PEGOU ATÉ MINHA MULHÉ!!". E o Santana ficou tremendamente inibido e foi embora do boteco, o q me leva a crer q o grito do velhote continha alguma dimensão de verdade. Não feliz em ter submetido o outro a um forte constrangimento, o bebum gritou: "Também, quem não pegaria uma mulhé gostosa daquelas?"

2) PREÇO - Paguei $11,50 por um rango espetacular, e não era a peso!! No bifê tinha 2 tipos de feijão, 2 tipos de arroz, 4 tipos de carne e até quiabo sem baba. Tinha também alguns ingredientes típicos de baixa-renda, como jiló cozido. Além disso eles fazem promoção: a pessoa q se comprometer a não deixar comida pode repetir o prato.

POntos fracos:

1) CORDIALIDADE - Os garçons são fofos e não agridem ninguém.

2) ORGANIZAÇÃO - Tinha guardanapos na mesa.

Temos que auditar este lugar, pois é um bom candidato a nosso Selo Baixa Renda de Alimentação Despretensiosa e Honesta.

Respeitosamente,
Morena.

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