Puta que o pariu, mais água, um balde dágua! A irritação faz de mim uma pessoa determinada. Procurei o caseiro mas só encontrei sua loura de estimação, postada no portão em frente a sua casa, gritando, Oiiiiiii... Catarinaaaaaaaaaaaaaaaa... oiiiiiiii... a gritaria só me atiçou ainda mais a raiva, mas perto do portão da loura achei um balde velho com uma água suja, restos de folhas mortas e um pincel... deve estar cheio de mosquito da dengue nessa casa e tudo isso só me deixava mais revoltada com aqueles falsos bacanas que não colocam privadas decentes, contratam caseiros que saem pra dar rolé e deixam o papagaio cumprindo o expediente e pra piorar não ligam a mínima pra epidemias que matam gente que não tem nada a ver com toda aquela merda ("again" sendo bem literal). Oiiiiiii... Catarinaaaaaaa... ao som dessa cantiga inspiradora continuei revirando o pátio em busca de uma torneira e a coisa mais parecida que achei foi um bebedouro. Foi ali que enchi o balde pra completar seu conteúdo pútrido com aquele "algo mais" que faria o embarque acontecer. Óbvio que levou horas encher a droga do balde e lá em cima a aula rolando e é uma aula dessas absurdamente superfaturadas então calculo que tenha sepultado vários dólares a cada minuto que passava tentando resolver a merda do problema, ou o problema da merda. Mas eu achava que esse era um dever de honra, afinal não ia querer exibir o conteúdo das minhas tripas para um ou outro aluno que tivesse que usar aquele maldito vaso. Mas tenho a sorte de ser velha e ter assistido no cinema a "Um Convidado Bem Trapalhão" e enquanto acionava o botão e ao mesmo tempo virava o balde sobre o vaso lembrei da impagável cena do Peter Sellers no banheiro da mansão. E depois de dar uma última limpadinha na sujeira do banheiro e de devolver o balde à empolgada Catarina, ainda consegui entrar na aula com um leve sorriso de deboche".
Nenhum comentário:
Postar um comentário