Sabe, eu não acharia nada ruim se entrasse num avião hoje à noite pra encontrar você amanhã em Turim - andaríamos de braços dados pelas ruas, rindo, rindo, sou boa em fazer você rir, você comeria sem parar e eu beberia alguma coisa não muito dramática e no fim quando tivesse que subir ao palco pra trabalhar você talvez lembrasse dos nossos ataques e pensasse que a gente dos trópicos é ainda mais louca do que tinha imaginado. Há essa purezazinha sutil em nós e ela segue sem mudanças, sem avarias. Desempenhamos nossas centenas de papeis e envelhecemos e ela está lá... um botão de flor... uma promessa... E assim vamos acordar depois de uma semana escrota, tudo absolutamente deprimente, e então olhamos pro espelho. Ali estão os olhos do bebê que nós fomos. Nós sorrimos nesse instante e gentilmente nos concedemos outra chance. Penso nisso e surgem as lágrimas. Talvez você devesse escrever sobre seus sentimentos, duas ou três linhas todos os dias, e ler isso depois de algum tempo vai ser espantoso - as impressões de alguém que vive na estrada, com todos os luxos mas nada de seu - uma vida extraordinária, sem qualquer dúvida.
Falaremos em breve.
Morena.
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