vento frio que nos aquece

O suor grudando, a garganta apertando, seca, seca, o desânimo, a tarde morta. O que eu podia fazer? Pedir arrego.

E fui bater à porta dele. Mau humorada. Basta olhar o jornal e a gente vê que a infelicidade, as alterações climáticas e os impostos abusivos não são problemas só meus. Então por que eu deveria suportar sozinha esse calor mórbido?

Ele me mostrou o oásis. Chegamos remando no rastro da lua cheia. É um lugar onde sopra aquele vento delicioso que nos refresca toda angústia. Soprava, os cabelos voavam, arrepiava a pele. É um lugar onde você vê a cidade mas ela não pode te alcançar. As acomodações são simples - saco de dormir é o maior luxo que você vai ver por lá. Banheiro, eu preferi ao ar livre, pra combinar com a vida rústica. Ambos os vizinhos, da direita e da esquerda, estavam concentradíssimos na TV e não se incomodaram com o sonzinho de torneira aberta. Ele disse, a lua parece um farol aqui fora. Bebemos cerveja e comemos peixe enlatado. Nada como uma casa pequena no centro de um imenso quintal. Quando amanheceu, vi manchas rosadas no céu e suspirei.

Então tá, lição aprendida. Um ser querido substitui o ar condicionado. Com óbvias vantagens ecológicas e emocionais!

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