(ou inocentemente rasgando seu dinheiro)
Dois amigos voltavam equilibrando-se sobre uma bicicleta da praia de Ipanema onde assistiram o pôr do sol. Ela vinha sentada no quadro e ele pedalando com as pernas abertas -como quem carrega uma pessoa no quadro da bicicleta- ambos compartilhando a musica de um mp3 player e dois fones de ouvido. Estavam na ciclovia de Copacabana quando resolveram comer uma tapioca quentinha.Encostaram e desmontaram do seu meio de transporte. O vendedor olhou meio desconfiado mas respondeu com um sorriso a chegada daqueles dois malucos. Pediram suas tapiocas; ele queria de queijo com coco e ela de goiabada com queijo. Ela pediu bem caprichado: "Moço, coloca muita goiabada aí, hein?" e o vendedor da tapioca retribuiu com uma brincadeira mais tarde: "É bem pouca goiabada que você pediu, né?"
Na hora de pagar ele tinha no bolso um bolo de dinheiro amassado e enrolado com aquela típica arrumação que os bêbados fazem tão bem. O dialógo seguiu:
Ele: "Quanto é, moço?"
Vendedor de tapioca: "6 reais."
Ela: "Você tem? Pode pagar?"
Ele: "Deixa que eu pago".
Enquanto tirava o mafuá todo de dentro do bolso e puxava uma nota de 10 reais do meio daqule bolo a nota se rasgou em duas partes e o pedaço maior (aproximadamente 60% dos dez reais, fazendo todo sentido...) foi entregue a ela.
Ela (que largou o pedaço do dinheiro no chão e fez uma cara como se tivesse visto um ato insano): "Que isso! Não tô acreditando no que estou vendo! Você viu o que você acabou de fazer? Você sabe o que isso significa né?!"
Nesse momento segurava, apertava e balançava o braço dele com força como se ele tivesse prestes a ter um surto psicótico e violento e ela tentasse evitar. Ele continuava olhando-a calma e pacificamente, com aquela cara de quem não está entendendo.
O pedaço da nota ía voando pelo calçadão de Copacabana. Ele nem um pouco preocupado em justificar ato tão banal -rasgar um pedaço de papel colorido- se apressava querendo recuperar o pedaço do dinheiro que já voava longe à essa altura.
Ele: "Pega esse pedaço do dinheiro alí! Tá voando e indo embora, pega lá!!!"
Ela (parecia ainda estar em estado de choque): "Cara, você rasgou dinheiro! Não estou acreditando! Você sabe o que isso significa?"
Ele (começando a perceber que toda a gravidade do ato que cometera era ter sido na frente dela!): "Tá bom, paga ele com esse outro dinheiro aquí que nao está rasgado ainda e me devolve esse rasgado que eu colo depois."
Ela (ainda com olhar de quem não acredita no que viu) "Nunca mais você vai poder falar nada de mim, nada que eu possa fazer vai superar esse seu ato de insanidade! Na minha frente, eu ví!"
Vendedor de tapioca (com cara de quem já estava cogitando não receber pagamento algum de gente tão estranha): "Muito obrigado! Boa noite!".
Montaram e seguiram se equilibrando num camelo vermelho até o fim da praia ouvindo musica e discutindo sobre estados de lucidez, loucura, insanidade e papéis coloridos.
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