O rei começa a servir a xícara do iogue e pede para ele lhe dar esse ensinamento. O iogue começa explicando que naquele dia ele não seria possível dar ao rei aquele ensinamento. Nesse momento, soam trombetas anunciando a partida da corte para a caça, chamando a todos para a caçada.
Então o rei, diante da recusa do iogue em lhe ensinar, decide ir para a caçada.
O rei desce, toma o seu cavalo e sai com o grupo todo. Em um certo momento, o rei desgarra-se do grupo e entra numa região que ele não conhece. No meio disso, o cavalo se assusta, o rei cai e bate com a cabeça.
O rei permanece desacordado por um bom tempo. Quando retorna, está desmemoriado. Não sabe onde está, não reconhece nada, esquece quem ele é. Então começa a vaguear, a caminhar. E vem a fome. Continua caminhando, até que encontra uma estrada. Nessa estrada ele vê que vem se aproximando uma carroça de ciganos.
Faz um sinal, a carroça pára e ele diz:
“Eu estou com fome. Se vocês me derem comida, eu trabalho para vocês.”
No entanto, os ciganos o acolhem na carroça mesmo dizendo não precisarem dos seus serviços. E, então, eles seguem juntos.
De repente, ele olha para o lado e vê uma cigana linda, bem ao seu lado. Eles andam mais um pouco, se entreolham, se enamoram. Ele a convida a deixarem o grupo, ela aceita, descem da carroça e decidem começar uma vida juntos. Eles montam uma estalagem e assim o tempo passa. Eles têm filhos e vivem felizes por muitos e muitos anos.
Nessa altura, o rei já está meio barrigudo, vendendo cachaça atrás do balcão do bar da estalagem.
Mas o rei tinha um Primeiro Ministro, e esse Primeiro Ministro era muito inteligente e muito fiel. Ele nunca desistiu de procurar o rei.
Assim, um dia o Primeiro Ministro entra pela porta da estalagem e o reconhece imediatamente.
O rei não se lembra de coisa alguma.
Então, o Primeiro Ministro resolve ficar por lá e todo dia ele vai contando um pouco da história do rei para o rei desmemoriado.
E o rei, aos poucos, vai entendendo o que está acontecendo. Lá pelas tantas o rei diz: “Sim! Eu lembro!”
Nesse momento, ele olha à sua frente.
O chá que estava servindo ao iogue não havia sequer esfriado ainda".
Um comentário:
Morena, você é o iogue do meu chá!
Como dizia o filósofo Peter Frampton, "please don't go".
P.S - Pensando no seu novo domicílio, vc já ouviu a música "Injuriado", do primeiro disco do Eduardo Dusek (1980)?
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