Saboreio com antecipação o momento triunfante da minha caçada.
Stefano não poderá mexer-se muito, pois está mais ou menos limitado pela porta do carro, do lado esquerdo, por mim e pela nossa bagagem empilhada, do lado direito.
Predadora faz pausa somente para confirmar o cheiro de sua presa encurralada.
Ele percebe minha intenção e me olha em pânico, mas quero deixar claro que não terei nenhuma piedade.
Salto sobre seu corpo e disparo uma saraivada de cócegas, atacando-o com os dedos por toda parte ao mesmo tempo - o pescoço, os sovaquinhos e aquela gordurinha que eu adoro, bem nas laterais da pança.
Stefano, debatendo-se: FERMA! FERMA!
Eu, sem interromper a carnificina: Ferma é o caralho. Meu nome é Zé Pequeno.
2
Fania aproxima-se exuberante de um carro com dois simpáticos senhores portenhos, parados nos jardins de Palermo sob um lindo céu de tarde.
Fania: Señores, por favor. Una información. Como jegamos a um rrardím de rrosas de Palermo? Es por acá?
Senhor 1, tentando negociar com os pensamentos tarados que lhe vazam pelos olhos, narinas e boca: Por aqui pero como veinte cuadras, chica.
Senhor 2, quase babando: Siempre a la derecha, pasas por el puente metálico y sigues unas 20 cuadras. Es muy lejos.
Eu, impaciente: Longe pra caralho, hein? Então vamos, Fania, vamos logo.
Fania: Si? Vinte cuadras? De acá?
Senhor 1, já com ar enfadado: Si, muy lejos. Como 20 cuadras. Mejor se van en el bus. Toman el 92 o el 93.
Fania: Es que nosssotras no tenemos mais monedas para el bus. Usstedes tienen monedas para nos dar?
Saí correndo pra não presenciar o lamentável final do episódio.
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