Ana, Stefano e eu sentados fazendo hora nas escadarias do Paseo Buen Pastor.
Eu: Uma expressão que eu realmente gosto em português é "cofrinho", a parte de cima da sua bunda que aparece quando você se abaixa e a sua calça não é suficientemente alta pra tapá-la. Acho muito simpático que comparem o rego da bunda com um cofre de porquinho.
Ana: Interessante, que eu saiba não existe uma expressão pra isso em espanhol. Se eu visse o cofrinho de alguém, chamaria de la raya. Porque é a linha da bunda, não é a bunda em si.
Stefano: Em italiano temos três expressões, dependendo do quanto da bunda você vê.
Eu: Não acredito. Três expressões pra cofrinho? Vocês são profissionais nisso, hein?
Stefano: Ah, sim. Pra esse tipo de coisa e pra insultos a língua italiana é muito boa. Bem, se a gente vê só um pouquinho da bunda, dizemos que é o porta-lápis. Se aparecer um pouco mais, é o porta-oliva.
Ana: Oliva? Azeitona?
Stefano: Sim, aí você vê que é maior do que o buraquinho pra colocar um lápis, certo?
Eu: Quase não estou aguentando esperar pra saber a próxima categoria.
Stefano: Quando você vê o bundão quase todo?
Eu: Isso. Fala logo.
Stefano: Porta-bicicleta.
Ana e Eu: Porta-bicicleta?!
Stefano: Isso mesmo, porta-bicicleta.
Momento de silêncio e profunda reflexão no Paseo Buen Pastor.

2
As senhoras da quitanda num bairro remoto da cidade de Córdoba.
Senhora 1, apertando apertando meu braço com uma mãozinha enrugada e tão poderosa quanto uma garra de alicate: Chica, eres casada? No te cases, chica, no te cases. Cuando se ponga viejo vas a tener que darle medicinas, harcerle comer y bañarse, como si fueras la mamá de él!
Eu pensando: Se junto com os remédios eu der um pouco de Viagra não vou me importar muito, vovó, num caso em que a moral da família está em jogo acredito que os fins valem os meios, entende?
Senhora 2: Y no quieras ponerte vieja, chica, es terrible. El outro día perdi toda mi plata. Se me olvidó donde la había puesto. Y el nombre de mi vecina a mi se me olvidó tambien. Una vergüenza!
Eu pensando: Hahahaha, tudo isso acontece frequentemente comigo, sua velhinha ingênua, sem falar em deixar cair as calcinhas na área de serviço do vizinho de baixo, porque quando acordo com ressaca as mãos me tremem como se eu tivesse o Parkinson, e minhas amigas me contam que pior mesmo é acordar na cama de um cidadão desconhecido sem ter a memória de como você foi parar ali – terrível, vovó, terrível!
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