Brumas por toda parte. Produzidas por uma grande chapa do outro lado do balcão.
Morena, esperando com muita fome por um bifun de "dez real". Olha para a moça do caixa com cara de aflição.
A moça do caixa está lixando as unhas e faz cara de quem não tem nada com isso.
Uma mulher grande, de cabelos bem curtinhos e um daqueles adesivos indianos colado entre as sobrancelhas está conversando de pé com a freguesa da frente.
MULHER GRANDE: Eu sou espírita e sei muito bem disso: quem não sabe se reciclar internamente não tá preparado pra viver na Terra.
Morena olha ansiosa para os dois cozinheiros que se mexem tranquilamente em meio à neblina da chapa.
Um dos cozinheiros olha pra ela.
O cozinheiro sorri e começa a cantarolar.
A canção que o cozinheiro canta é a seguinte:
"Você bem sabe/ que não lhe prometi um mar de rosas/ nem sempre o sol brilha/ também há dias em que a chuva caai".
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