ELE: Você tá com mais cabelo branco agora do que quando a gente namorava.
ELA: Põe isso na tua conta, veado.
ELE: Na minha? Você tem várias contas espalhadas por aí.
ELA: A tua é a pior!
ELE: Sabe que tão querendo abrir um museu enorme e de alto nível nesse bairro e os moradores não querem?
ELA: Ouvi falar.
ELE: Coisa de padrão europeu, parece. Mas tá todo mundo revoltado.
ELA: Não é todo mundo. Tem gente que apoia. Os que são contra reclamam que o trânsito ficaria um inferno. Compreensível, porque as ruas do bairro são muito estreitas mesmo.
ELE: Mas o que você acha?
ELA: Se eu morasse aqui seria totalmente a favor do museu. Quero mais é que tenha um edifício lindo e cheio de obras de arte a poucos metros da minha casa, porra. Vê lá se eu sou que nem esses caras da roça que destróem o fígado com tanta mesquinharia, afogados num pensamento tacanho de "minha propriedade, minha cerca, meu quintal". Coisa de gente babaca! Quero mais é ver o mundo desfilando em frente a minha janela, cacete.
ELE: Bonito. Poético e profundo.
ELA: E você, o que acha?
ELE: Sinto muito que dessa vez não vamos poder brigar porque eu concordo com você. Por mim podem arrombar esse bairro todo!
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