PARTE 1 - De carona com o chefe
CHEFE, buzinando irritado para a moça que acaba de desocupar a vaga, pouco mais adiante: Ai, porra, neguinho faz muita merda na saída dessa garagem. Quando é mulher então... olha essa aí... burra! Não sabe sair de uma vaga. Idiota!
MORENA: Queisso, cara, que preconceito, hein?
CHEFE: Porra, eu quero sair daqui e ela tá atrapalhando. Não vejo a hora de sair desse prédio, olhar o mundo lá fora.
MORENA: Pra que tanta ansiedade?
CHEFE: Você vai saber já, já.
Intervalo correspondente à manobra entre as vagas e à descida da rampa. Momento tenso para ambos, por diferentes razões.
CHEFE: Ai, nem acredito que tô fora daqui. Agora pega aí por favor no meu porta-luvas uma caneta Mont Blanc, tá vendo ela aí?
MORENA: Tô vendo. Caneta chique, né, chefe?
CHEFE: Chique e linda minha canetinha. Agora desatarraxa ela aí. Abre, isso, desatarraxa. Conseguiu? Olha o que tem dentro.
MORENA gira, intrigada, a parte de cima da caneta até separá-la do corpo. Surge um papelzinho enrolado em forma de cigarro e o cheiro de erva espalha-se com força pelo carro.
CHEFE, afrouxando o nó da gravata com um estranho grunhido de prazer e vingança: Ahhhhhh! Que beleza! Passa já esse negócio aceso pra cá! Agora você descobriu porque eu queria tanto sair do prédio, né?
MORENA, olhando com igual perplexidade para a erva e para a situação: É, agora eu entendi.
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