Vai, minha tristeza, e diz a ela...

E quando eu voltar você vai saber que nunca foi abandono nem mágoa e vai amar e odiar ao mesmo tempo o meu sorriso, será que estará chovendo, e a luz? não sei, será que ainda somos os amigos de antes, um o guarda-sol do outro, eu seu querido sacodepancadas, você minha pasta de dentes refrescante, será que as ruas estarão pálidas, você meu colar de jóias, a fumaça e o calor e a agonia das ruas empalidecendo sonhos, eu do outro lado da porta sorrindo, você sorrindo com a mão na chave, a melhor cueca, as taças prontas, eu fanhosa e chorosa ou carente ou doente ou esperançosa, será que você vai gostar da cara e do cabelo e dos dentes e da chuva se estiver chovendo, tomara que esteja porque sorrir é mais fácil com chuva, e a luz? quando eu me ajoelhar ao teu lado na cama com o copo dágua que você vai pedir, um a esteira rolante do outro, carros saindo pelas suas narinas, você minha taça transbordando, a minha roupa você olha com raiva, um o pára-choque do outro, os teus pedaços eu cato feliz e sem pressa, os teus braços eu conheço sem o gps, você desmoronando e sobrevivendo milhões de vezes por dia, as enchentes e valas negras e os teus olhos e os bueiros e a tua dor, eu a tua aguinha soluçante, a mão na chave e eu do outro lado da porta, você uma folha livre e eterna, você o mais doce pensamento, um a fogueira do outro, a melhor cueca, e a luz?

Nenhum comentário: