Gelman, você acaba comigo!

Chovia do lado de fora e da janela do ônibus eu olhava com distraída admiração um rapaz que a bordo de sua bicicleta contornava as poças de água barrenta e os monstrengos de aço enfileirados em tediosos semáforos e com paciência de malabarista ele equilibrava quatro sacolas de plástico azul, dessas de mercadinhos anônimos, penduradas em seus punhos enquanto segurava o guidão e assim cumpria a sina dos esguichos lançados pelos ônibus e quase tombou numa curva que o espremeu contra um poste de luz.

Foi então que resolvi dar uma olhada no livro que tinha trazido e abrindo ao acaso encontrei o seguinte:

no quiero otra noticia sino vos/
cualquiera otra es migajita donde
se muere de hambre la memoria/cava
para seguir buscándote/se vuelve

loca de oscuridad/fuega su perra
arde a pedazos/ mira tu mirar
ausente/ espejo donde no me veo ...


2 comentários:

Anônimo disse...

isso é lindo, hem? gostei mto.

Morena e outros apelidos disse...

Achou? Então toma mais esse.

"querido amor que partís como un pájaro
acostado sobre los horizontes
estará bien darnos todos al todo/
sin ser parte de nada/
ni siquiera del vuelo que

te lleva?"