As pessoas que passaram por aqui

Sarah, monja budista, encheu a despensa com diferentes tipos de frutas porque vinha da Mongólia, onde só se come batata e cevada, e contou uma terrível história sobre o ataque de milhões de baratas ao templo em que morava.

Sean, nascido e criado em Dublin, passou mal de ressaca, roncava como um cortador de grama e, entre outras estripulias, descoloriu os cabelos no tanque ao lado do depósito.

Leo, pretendente, bebeu champanhe demais e confidenciou que suspeitava de que suas recaídas com a ex-mulher tinham alguma coisa a ver com charutos, velas vermelhas e copos de cachaça.

Bits, que no início era tímido e hesitante, bebeu champanhe demais, atacou uma das convidadas no sofá e depois subiu uma escadaria de 12 andares com a leveza de uma andorinha migratória do Ártico.

Lori, elegante e antenada, bebeu champanhe demais e produziu um curta-metragem sobre suas sucessivas tentativas de riscar um fósforo, que resultaram num nariz chamuscado.

Gui, o Galego, vermelho como um camarão, bebeu champanhe demais e capotou no estrado velho da sala e não voltou a emitir sinais vitais até a chegada do resgate.

Cris, depois de um feroz discurso contra os que não tinham comparecido ao encontro, esvaziou de uma só vez a última garrafinha de champanhe e ainda encontrou forças para resgatar o referido Galego.

Keka, a cantora, foi injustamente acusada de consumo de ervas exóticas mas aceitou a pecha para não desiludir uma pobre mamãe que não estava preparada para saber toda a verdade acerca de seu “bebezinho” de 20 anos.

Daniel, o “bebezinho” amante das ervas exóticas, por um bom tempo embelezou as janelas com seu físico invejável, embora nunca tenha sido convidado a fazê-lo.

Moni, aflita, chegou tarde da noite com a seguinte proposta: “Vim aqui porque quero que você me diga que o meu namorado não é a pessoa bronca, ignorante e desinteressante que às vezes eu vejo na minha frente”.

Jô, a pretexto de pendurar uma obra de arte de cunho próprio, abriu rombos enormes na parede da sala com a furadeira e instalou a pintura de um jeito que produz hérnia na coluna cervical daqueles que tentam apreciá-la.

Franco, mochileiro argentino, depois de uma megafesta junina acabou passando a madrugada em claro, por causa do choro de um bebê que dormia no sofá - ambos acordaram com cara de poucos amigos.

Janjão, o bebê, chupava o dedo e observava as meninas seminuas que se preparavam para a megafesta junina com um interesse que intrigou a todos. Antipatizou instantaneamente com o mochileiro citado acima.

Um comentário:

Rosane Serro disse...

Quequeisso, Morena!

Que festa de arromba foi essa? Não sabia que os monges farreavam assim!

Me dê o endereço desse monastério para eu só passar de dia...

Zoação.
O champagne devia estar ótimo!

Beijo enorme,