Nosso Livretinho dos Abraços* Parte 1

* Vou aos poucos formatando o meu; bonito mesmo é ler o verdadeiro Libro de los Abrazos, do grande e querido Galeano, que aliás eu achei na web em Libros Gratis http://www.librosgratisweb.com/libros/el-libro-de-los-abrazos.html.

Sobre o poder da palavra

Certa noite, num boteco barulhento e esfumaçado do Rio de Janeiro, o Tom me disse: Sabe, se você não tem nada de bom pra falar de alguém, ficar em silêncio é uma boa opção. Concordei e nunca mais esqueci.

Sobre achados literários

Em Rosa, achei a mais perfeita definição dos episódios de tristeza que já vi e vivi: "Chorei a água de uns três cocos".
Em Hemingway aprendi que mar é substantivo feminino se sempre será. "O mar" é heresia. Ou então nome próprio.

Sobre a arte de receber amigos

Cheguei cansada, tarde da noite, depois de um par de horas sob chuva, vasculhando a cidadezinha de praia à procura da casa. Vicentão apareceu no portão com um ar pensativo. "Pesquei uma lagosta linda e estava pensando em colocar no forno agora. Acho que sem saber eu estava te esperando".

Sobre o idioma de Asterix

Em Paris, fazendo meu roteiro, digamos, off-Guia Michelin, aprendi que quando alguém diz "Je m´occupe de toi" é melhor ficar bem atento. E se logo depois vier a frase "Reste tranquille", tá na hora de passar sebo nas canelas e fugir. À francesa.

Sobre sofrer uma grande derrota pública

Em sua linda casa na bruma da montanha, Cristina cancela a possibilidade de rancores e segue em frente, dizendo apenas: "Eu acho isso tudo muito pequeno pra me derrubar".

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