Elas debatem o assunto aos gritos num barulhento bar de jazz.
AMIGA 1: Eu acho um absurdo que você não vá às festas dos seus melhores amigos. Tá ligada que ninguém vai no teu enterro quando tu morrer, né? A tua família vai contratar figurantes pra levantarem as alças do caixão.
AMIGA 2, muito aflita: O que importa isso? Eu ja vou estar morta mesmo, que se f**a. Além disso, ninguem me compreende nesse mundo. Vou te explicar, é mais forte do que eu! Eu marco as coisas, na hora que eu marco eu tenho certeza absoluta de que vou, de que quero ir. Mas na hora mesmo de ir, a vontade desaparece, vai pro c*****o, e ir se torna uma coisa tremendamente dificil. Dá pra entender?
AMIGA 1, irritada: Entendi que você é uma vaca preguiçosa. Entendi isso. Tô errada?
AMIGA 2: Bem que eu falei! Ninguem me compreende! Já sei o que eu vou fazer. Vou fundar uma comunidade no orkut assim: Eu sou furona, e dai?
AMIGA 1: Boa idéia. Pra te falar a verdade, eu também furo muito.
AMIGA 2: Ah, estava me jogando pedras mas agora admitiu, né?
AMIGA 1: Eu furo por falta de tempo. Eu tô sempre envolvida em mil coisas ao mesmo tempo. Eu não dou conta.
AMIGA 2: Pois eu não dou conta do meu juízo, acho que é isso. É sério, é o juízo que atenta, não é a preguiça não.
AMIGA 1, pensativa: Nesse caso creio que vamos precisar de um diagnóstico psiquiátrico.
AMIGA 2: É, o meu chefe já me falou isso. Disse que tenho que me tratar.
AMIGA 1: Eu acho que basta o diagnóstico. O tratamento não funciona mesmo. Mas tendo o diagnóstico você já pode falar pros outros: "Desculpem, eu furei porque sou bipolar". Ou então: "Furei porque sou deprimida". Ou então: "Furei porque sou hiperativa".
AMIGA 2: Mas isso é ridículo. Se a pessoa disser: "Furei porque sou furona", ninguém aceita, mas se disser um palavrão desses todo mundo acha o máximo.
AMIGA 1: Exatamente. Você acaba de entender a essência da pós-modernidade.
AMIGA 2: Então tá. Eu sou limítrofe, pronto. Em linguagem médica isso existe. Vou dizer que furo porque sou limítrofe. Não somente furona.
AMIGA 1, com os olhos arregalados de espanto: Caramba, e o que é isso?
AMIGA 2: É quem tá no limite de qualquer merda dessas. Pode ser deprimido limítrofe, bipolar limítrofe, o c*****o a quatro limítrofe...
AMIGA 1: Formidável. Então aquele rapaz que sente um carinho todo especial pelo melhor amigo e não pára de pensar nele um só instante é um homossexual limítrofe?
AMIGA 2: É isso mesmo, vejo que você agora me compreendeu perfeitamente. E o Bill Clinton, que fumou mas não tragou, é um maconheiro limítrofe.
AMIGA 1: Fantástico.
AMIGA 2: E por aí vai...
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Um comentário:
:)
Bill Clinton = maconheiro limítrofe foi ótimo!!!
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