Apurei tudo nas quase três horas de conversa com a Luciane, enquanto ela fazia mais de uma centena de tranças na minha cabeça, numa bela manhã de maio:
1) as "escovistas", especializadas em alisar os cabelos das pessoas com produtos químicos à base de formol, desenvolvem várias alergias respiratórias depois de cinco ou seis meses trabalhando com isso;
2) algumas dessas profissionais saem de um dia duro de trabalho com os narizes sangrando;
3) a escova progressiva, que usa a maior quantidade de formol, é sucesso absoluto entre as clientes dos salões;
3) as tranças rastafari não precisam de nenhum produto químico para ficar bem presas: são amarradas no final do cabelo com linhas de lastex e podem ser lavadas normalmente;
4) os dreadlocks podem levar até um ano para ficar com o formato que foi eternizado por Bob Marley;
5) é preciso um bom tempo sem lavar as mechas, deixando que o cabelo fique bem embaraçado. Além disso, a pessoa tem que passar cera de abelha por um bom tempo. Em compensação, um cacho bem formado não se desmancha mais. Para se livrar dele, é preciso cortá-lo rente à cabeça;
6) mas... Luciane garante: "Quando você consegue fazer os dreads, nunca mais quer largá-los. Eles se tornam uma parte da sua vida - você fica meio viciada neles. Eu nunca quis fazer dreads porque sei disso. A relação de uma pessoa com seus dreadlocks é inteiramente mágica".
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