Jantar entre amigos, com algumas pizzas caseiras e um aconchegante forno a lenha.
O CARA: Vocês tão colocando alho demais nessas pizzas. Cuidado. Esse alho todo vai fazer mal.
MULHER DO CARA: Por que? Dá um gostinho tão bom pra pizza.
A AMIGA DA MULHER DO CARA: Pô, adoro alho. Quando ele fica crocante é uma delícia mastigar. Qual é o problema?
Entra o AMIGO DO CARA, risonho e saltitante.
O AMIGO DO CARA: Fala aí!
O CARA: Beleza, dotô?
O AMIGO DO CARA: Tudo tranqüilo! Comprei um negócio bacana. Meia dúzia de rojões que explodem ao mesmo tempo, pra gente fazer um barulhão danado! Foi só dez reais.
O CARA: Que beleza!
A MULHER DO CARA: Meu Deus, que inferno, os cachorros vão ficar malucos.
O AMIGO DO CARA: Parece aqueles cabeças-de-nego que a gente soltava no cinema antigamente, escondido, lembra? A gente acendia e depois saía correndo da sessão. Daqui a pouco... BUM!
O CARA, um pouco constrangido por ter o passado exposto à luz: Lembro, lembro.
O AMIGO DO CARA: Então, vamo estourar esses aí. Rapaz! (espiando a pizza já cortada em quadradinhos sobre a mesa) Que beleza essa pizza, hein? É de que?
O CARA: De atum, mas elas colocaram alho. Tô falando que tem que ter cuidado com alho e com cebola. Alho não pode comer demais porque detona o estômago. Aquela gastrite que eu tive tenho certeza de que foi por causa de alho demais na comida.
O AMIGO DO CARA: Ah, e eu trouxe aquela parada que tu me pediu.
O CARA, arregalando os olhos com muito interesse: Trouxe?
O AMIGO DO CARA, exibindo um pequeno embrulho branco malcheiroso: Tá aqui.
O CARA: Que maravilha! Pô, tô há um tempão esperando! Que beleza!
A MULHER DO CARA: O que é isso?
O CARA: Banha de porco. Uma delícia! Não tem coisa melhor.
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