Um dia comprido

4h - Uma hora de meditação.

6h40 - Sonho com o mar.

8h10 - Suco de maçã, laranja e banana com leite de soja.

8h30 - Interessante diálogo com um taxista garotão sobre os melhores bares de Santa Teresa e os atalhos mais interessantes para driblar engarrafamentos.

10h - Uma dose de chimarrão e uma crise de fígado, quase ao mesmo tempo.

12h45 - Conversa com um desconhecido simpático que inundou com guaraná a cadeira ao lado da minha, num restaurante self-service decadente e quase vazio. A conversa foi mais interessante do que eu esperava e perdi o maldito papelzinho que os restaurantes self-services decadentes e quase vazios nos obrigam a manter nas mãos na hora da saída. A perda e a possibilidade de ser recriminada introduziram tensão no meu sistema límbico (o que quer que seja isso) e me levaram a derramar café sobre o vestido de uma jovem grávida. O bebê deve ter sofrido as conseqüências da raiva que ela sentiu. Abandonei "avexada" o restaurante. Tão decadente quanto ele, ainda fiz uma piadinha para o rapaz, do tipo: "Engraçado, você derramou guaraná e eu derramei café".

17h - Carta para conseguir um emprego muito, muito interessante mas um pouco longe de casa: em Brisbane, Austrália.

19h26 - Paro pra comprar a deliciosa e já lendária pizza branca do meu vizinho restaurante Mamma Rosa, decadente também, só que quase sempre cheio e serve à la carte.

20h - Telefonemas para tentar contornar uma discussão terrível com um ex. Por sorte ele é do tipo que se dispõe a ser compreensivo, desde que devidamente recompensado. Tirem suas próprias conclusões.

22h - Comando os alunos para que despertem do relaxamento pós-ásanas. Digo: Aos poucos vamos mexendo os dedos das mãos, os pés, abrindo os olhos, espreguiçando. Ninguém se move. Espero mais um pouco e acrescento: vamos fazer movimentos, os movimentos que quiserem, depois vamos para a posição fetal. Inércia total. Depois de algum tempo, um aluno mexe o pé. Ninguém quer se mover dos tapetes. Isso quer dizer que a aula foi boa. Ou não?

Um comentário:

Anônimo disse...

A aula foi boa. Eles tavam em alfa. Já ri muito com a sua (nossa) rotina surreal. E não queira fugir pra Brisbane. Não posso falar... só penso em Fernando de Noronha, o tempo todo, sem parar, olhos parados...