MORENA: Cara, acho que se eu gasto meu precioso dinheiro, se eu pago pra ir a essa cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos e vejo esse jacarezão ridículo abrindo e fechando a boca, sei lá, acho que eu esqueceria a finesse e começaria a quebrar tudo! Partiria pra depredação. Vandalismo.
FABI: É que aqui no Rio tem muito jacaré. Por isso eles criaram a alegoria. Você nunca cruzou com um jacaré andando pela cidade? Sei lá, parado no sinal da Rio Branco, ao teu lado, esperando abrir, nunca viu não?
MORENA: Jacaré, cara! Abrindo e fechando a boca! Cobra gigante expulsando a língua! Tudo isso é absolutamente desnecessário.
FABI: É, mas o povão gostou, parece.
MORENA: Como disse um amigo meu, muita gente se satisfaz com clichês televisivos e carnavalescos.
FABI: Pois eu, amiga, não correria o menor risco de estar numa cerimônia dessas. Nem que me pagassem.
MORENA: Por que?
FABI: Porque eu não vou a nenhum lugar onde haja a menor, repito, me-nor pos-si-bi-li-da-de de alguém tocar Trenzinho Caipira e Floresta Amazônica. Nunca!
MORENA: Tu tem raiva do Villa-Lobos?
FABI: Não, só me pergunto por que, se o cara tem uma obra maravilhosa, tem as Bachianas, tem tudo de bom, mas o povo só quer saber de tocar Floresta Amazônica e Trenzinho Caipira. E é por isso que fiquei com trauma! Uma vez eu vacilei. Fui a uma festa dos 50 anos da Amil. Chamaram os ex-funcionários, ofereceram boca livre, fui lá e tal. Lá pelas tantas, resolveram homenagear o povo brasileiro, lembrar a trajetória do país e da empresa e o que colocaram? Trenzinho Caipira!
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