Bilhete para um amor impossível

Querido idiota,

a festa aconteceu no dia e horário combinados, e sob um céu de ficção científica. Mundos azuis velavam por nós lá no alto, quando começamos a nos agrupar, esfregando as mãos, apertando os casacos, ajeitando os cachecóis de lã.

O palco dos músicos era um velho caminhão, estacionado sob uma cerejeira escandalosamente florida.

E, para seu governo, o povo se acabou de dançar no terraço do boteco. Quem cansava ocupava as cadeiras ao lado da pista, só o tempo necessário para recuperar a inspiração, ou embalar um neném adormecido, ou pensar na vida e nas ausências (dinheiro, romance e paz foram as mais votadas).

Depois, mais dança e mais conversa e mais criança correndo pelo chão de barro.

E pontualmente à meia-noite, todos andaram sobre as brasas da fogueira.

Tudo conforme o previsto. Tão confiável quanto a morte.

Saudações não saudosas,

Morena.

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