Saudade dela

(Robina Courtin)


Percorrendo sites de paquera na internet, encontrei o texto abaixo.

"Olá! Bom, eu sou um rapaz bem calmo, caseiro e companheiro. Gosto de programas mais tranquilos como um cinema, teatro, conversar com amigos degustando uma saborosa pizza com um vinho bem agradável. Sou fiel à minha familia, aos meus amigos e quando eu tiver, à namorada também. Agora, se você é fútil, mau caráter, fresca, cretina, mentirosa, faz de joguinhos estúpidos de sedução sua rotina, acha que um corpo malhado é tudo e que 'curtir a vida' é ir a 'night' bebendo até encher a cara (dando trabalho pra geral) ou ir à Micareta e beijar gente desconhecida, infelizmente não faz meu perfil ok?"

Acho que não ocorre a ninguém que uma mesma pessoa pode apresentar mais de um dos comportamentos listados, tanto os virtuosos quanto os deselegantes. Talvez até alguém pudesse ter todos esses comportamentos, bastaria viver tempo o suficiente para desenvolver alguns, substituir por outros.
Por que não? A gente adora enquadrar. E nem sempre gosta de ser enquadrado.

Penso muito em Robina Courtin (www.liberationprisonproject.org) e em tudo que ela falava sobre nossa tendência de dividir o mundo entre Vítimas e Opressores.
A questão é que a realidade não se presta a divisões simplistas. Então oscilamos loucamente entre um engano e outro.

"A pessoa que a gente adora no café da manhã é a mesma que a gente odeia na hora do jantar", dizia ela, sempre clara, sempre direta.

Conseguimos acreditar, por algum tempo, nas qualidades e boas intenções de alguém. Estas pessoas são as eleitas do nosso coração. Como são adoráveis, lindas, queridas, incontestáveis, inquestionáveis.
"Até o momento em que este ser não nos satisfaz de alguma maneira, não corresponde a alguma expectativa nossa. Ah, neste momento tudo muda. Surge o Inimigo", explicava Robina.
Em nossa cultura, sabemos muito bem como lidar com o Inimigo, seja ele um colega com quem almoçamos, sorridentes, de segunda a sexta-feira; ou um freqüentador dos nossos lençóis. Ou um ex-aliado que agora ameaça os planos de poder da nossa nação.
"Sabemos o que fazer com o Inimigo. Nós odiamos o Inimigo. Falamos mal do Inimigo. Nós nos divorciamos do Inimigo. Numa escala maior, nós bombardeamos o Inimigo."

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